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Associação de Mulheres que Acordam Despencadas

9 de Março de 2017

A.M.A.D.A.S – Associação de Mulheres que Acordam Despencadas

Evento acontecerá nos dias 18 e 19 de março, com sessões nos horários 19h e 20h, no Teatro Amazonas

O espetáculo é uma sátira ao comportamento das mulheres diante dos padrões de beleza cada vez mais rígidos e angustiantes.

Por meio de um humor histriônico e contagiante, o espetáculo coloca em discussão algumas das questões mais importantes sobre a condição da mulher moderna: o texto enfoca a via crucis de uma mulher que chega à meia-idade pressionada pelas demandas de uma sociedade cada vez mais fútil e superficial.

A protagonista expõe em uma reunião da A.M.A.D.A.S, suas inseguranças e angústias geradas pela impossibilidade de conservar o visual e o comportamento típicos da juventude a essa altura da vida.

SERVIÇO:

Funcionamento da bilheteria:

Terça a sábado de 09h as 17h.

Domingo de 13h as 19h.

Telefone da bilheteria: (92) 3232-1768

Preço dos ingressos:

Platéia R$ 120,00

Frisas R$ 100,00

1º , 2º e 3º Pavimentos

 R$80,00

Forma de pagamento: Dinheiro/Débito.

ENTREVISTA COM A ATRIZ ELIZABETH SAVALA

São 41 anos de carreira e muitas histórias para contar. Nessas quatro décadas Elizabeth vivenciou diversos personagens entre mulheres fortes, dramáticas, fúteis, quase sempre cômicas. Paulistana do Butantã, estreou na TV aos 19 anos interpretando a Malvina da novela Gabriela. Ícone da teledramaturgia brasileira, Elizabeth Savala também é uma figura carimbada nos palcos onde está em cartaz continuadamente desde 1988 com os espetáculos Lua Nua, Ações Ordinárias, Mimi,  É!.., Friziléia e agora A.M.A.D.A.S – Associação de Mulheres que Acordam Despencadas, uma sátira inteligente sobre o comportamento das mulheres diante dos padrões de beleza cada vez mais rígidos e angustiantes.

Com texto de Regiana Antonini e direção de Luiz Arthur Nunes, o espetáculo é um convite a um debate instigante. Na entrevista abaixo ela conta mais um pouco sobre este trabalho e todos os dilemas envolvidos.

A.M.A.D.A.S é uma associação para mulheres “despencadas”. Como a protagonista se encaixa nesse grupo?

A Regina Antônia é mais uma mulher que um dia acordou despencada. O fenômeno do despencamento atinge a todas nós. Um dia você se olha no espelho e descobre que tudo caiu. Comigo aconteceu no meu aniversário de cinquenta e um anos. No dia anterior eu acordei e li meu jornal como sempre. No dia seguinte eu já não conseguia ler sem óculos. A peça fala sobre tudo que nos acontece com a chegada da meia idade.

Depois de interpretar tantas mulheres diferentes, o que a Regina Antônia traz de novo ou desafiador para você?

O desafio maior está em que neste monólogo eu interpreto diversos personagens além da protagonista Regina Antonia. Na peça ela está completando 48 anos de vida e no dia anterior ao seu aniversário ela encontra uma amiga da época da adolescência. Exatamente aquela amiga que era a gostosona da turma, aquela que ficava com todos os gatinhos que todas queriam ficar. Aquela amiga que era três anos mais velha mas que aparentava cinco anos mais nova e que agora, vinte anos depois, à custa de muito botox, silicone e academias de ginástica, parece ser de uma geração posterior à da protagonista. O embate entre as duas é muito rico e prazeroso para mim como atriz.

Cirurgias plásticas, botox, silicone. Você condena quem as faz? Já fez alguma? Existe algum limite para a vaidade?

Eu não condeno nada, nem ninguém. Mas às vezes as pessoas exageram nos riscos que correm para ficarem mais bonitas. Eu fiz uma novela do Walcyr Carrasco chamada Sete Pecados em que eu interpretava exatamente o pecado da vaidade. Nesse período estive em contato com cirurgiões plásticos e um deles em especial me deixou apavorada com os riscos que se corre nesses procedimentos. Você pode ficar melhor mas também pode ficar muito pior.

Existe algum culpado por essas obsessões estéticas?

Não é uma questão de culpa, mas a sociedade cobra isso de todos nós. A peça coloca em cheque essa “ditadura da beleza”. Essa obrigação de se estar sempre jovem, sarada e bonita. O texto mostra através do humor, o quanto é ridículo esse esforço para se esconder a idade quando ela chega.

Você tem uma atuação intensa na TV e no teatro. Como você faz para conciliar os trabalhos?

Eu tenho feito uma novela a cada dois anos. Entre uma novela e outra eu intercalo meus espetáculos de teatro. Nos últimos dez anos eu tenho me dedicado ao projeto TEATRO DE GRAÇA NA PRAÇA, onde eu apresento espetáculos ao ar livre, em praças públicas, em cidades do interior de São Paulo. É muito estimulante para um ator apresentar um espetáculo para milhares de pessoas na rua. Ainda mais quando se sabe que a maioria dessas pessoas nunca foram a um teatro.

TV ou teatro? Porque?

No teatro a resposta é instantânea. Não tem videoteipe. Você não engana ninguém. Fez, fez, não fez, fizesse. Tem dias que você está péssima, com dor de cabeça, menstruada, com febre, você entra em cena e faz. Tem dias que você está perfeita e o espetáculo não sai como você gostaria. Tem dias que você está morta, cansada, acha que vai ser um horror e na hora que entra em cena é tudo maravilhoso. E o público é fundamental nesse processo. A energia do público te leva a superar as dificuldades. Assim como, às vezes, o público também pode te levar a um espetáculo menos intenso.

Já a TV tem uma coisa fascinante que é o improviso. Você tem pouco tempo pra estudar o texto. Na novela Alto Astral eu tinha muitas cenas “secretas”. Recebia o texto tarde da noite e tinha que grava-lo no dia seguinte. Ninguém, além do autor e do diretor, sabia que ia acontecer. E tudo acontece na hora. Eu adoro essa adrenalina.

O humor é um traço presente em toda a sua carreira. Que importância você atribui a essa característica?

O humor aproxima as pessoas. Desde criança eu aprendi a debochar de mim mesma. Isso é uma grande vantagem, pois ninguém vai debochar de você quando você já faz isso naturalmente. Pra mim o humor é isso, debochar de coisas sérias de modo que as pessoas parem para pensar a respeito.

Principalmente neste momento que o país está atravessando. O povo precisa rir de alguma coisa, não é mesmo? Nem que seja de si próprio. E a peça faz isso. A peça mostra o ridículo a que se pode chegar para conseguir uma coisa que às vezes não tem nenhuma importância.

FOTOS: DIVULGAÇÃO

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